Turma 702 - ATIVIDADES COMPLEMENTARES DE HISTÓRIA

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EE PADRE JOÃO BOTELHO
ATIVIDADE COMPLEMENTAR DE HISTÓRIA
7º ANO                 PROFESSORA: GLAUCILENE DATA: 23/06/20
   
Na Idade Média, a maioria das ideias e dos conceitos era elaborada pelos eclesiásticos. Para esses homens a mulher ao mesmo tempo em que era tida como a culpada pelo pecado original, a Virgem Maria foi a mulher que deu ao mundo o salvador e redentor dos pecados. E esse conceito do feminino está presente no cristianismo desde a sua consolidação baseada em uma doutrina repressora. As mulheres eram consideradas pelo clero como criaturas débeis e suscetíveis às tentações do diabo, logo, deveriam estar sempre sob a tutela masculina.
A principal preocupação com as mulheres era mantê-las virgens e afastar os clérigos desses seres demoníacos que personificavam a tentação carnal. Afinal, todas elas descendiam de Eva, a pecadora, a tentadora, aliada de Satanás e culpada pela queda. Eva concentra em si todos os vícios que trazem símbolos femininos, como a luxúria, a gula, a sensualidade e a sexualidade. Todos esses atributos apareciam nos sermões feitos pelos pregadores. E como forma de salvação para a mulher, eles ofereciam a figura de Maria Madalena, a prostituta arrependida que se submeteu aos homens e a Igreja.
A partir do século XI, com a institucionalização do casamento pela Igreja, a maternidade e o papel da boa esposa passaram a serem exaltados. As filhas eram totalmente excluídas da sucessão, quando contraiam matrimônio recebiam um dote constituído de bens que seriam administrados pelo marido. A linhagem beneficiava apenas componentes do sexo masculino, e a herança só era passada para o primogênito. O casamento era um pacto entre duas famílias, seu objetivo era simplesmente a procriação. A mulher era ao mesmo tempo doada e recebida, como um ser passivo. Sua principal virtude, dentro e fora do casamento, deveria ser a obediência e a submissão. Na prática do sexo, sempre com o objetivo único da procriação, a mulher não deveria demonstrar sensação de prazer, a posição deveria ser o homem sobre a mulher. Essa posição obrigatória da prática do sexo indicava a situação de submissão que dela se esperava. Cabia aos homens, pais ou maridos, o direito de castigá-las como uma criança, uma doméstica, uma escrava. Não era bom que uma mulher soubesse ler e escrever, a não ser que entrasse para a vida religiosa. Uma moça deveria isso sim, saber fiar e bordar exceto no caso de camponeses e classes mais baixas, que deveriam acompanhar seu marido no trabalho feudal.

Pensamentos sobre a mulher na Idade Média
‘Quem bate numa mulher com uma almofada, pensa aleijá-la e não lhe faz nada.’ (provérbio da época).
‘A alma de uma mulher e a alma de uma porca são quase o mesmo, ou seja, não valem grande coisa.’ (Arnaud Laufre).
‘Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar ousado.’ (Tratado de conduta moral e costumes da França, século XIV)
                                                  Trechos retirados de  https://backupfazendoestrelas.blogs.sapo.pt/64684.htm

AS MULHERES E A VISÃO DA IGREJA NO PASSADO

O calvário da alma feminina começa quando as ordens eclesiásticas fazem um direcionamento espiritual de que ela era filha e herdeira de Eva, a fonte do pecado original e instrumento do Diabo, mostrando-a como inferior, deixou-se enganar pela serpente e enganou seu companheiro, fazendo-o perder o paraíso, descobrindo e ensinando a ele o deleite carnal. Essa visão passou a fazer parte dos artigos teólogos, médicos e científicos, sem a mínima contestação. Desta forma sem manifestação contrária, passou-se a ver na mulher um caráter maléfico e promíscuo, que precisava ser disciplinado. Surge a Lei canônica, que permitia que a mulher fosse surrada, espancada em qualquer camada da sociedade.
Foi proibido à mulher ocupar ou desempenhar cargos públicos, e uma determinação adotada pela Lei Secular dizia o motivo de forma depreciativa, mostrando as mulheres como “frívolas por natureza, ardilosas, perspicazes, apegadas ao material (avarentas) e de pouquíssima ou quase nenhuma inteligência”. A Lei eclesiástica de forma abrangente, mas não menos diminutiva, deixava claro o motivo, a razão e circunstância pela quais as mulheres não podiam ocupar cargos públicos, seria simplesmente porque ”as mulheres não foram feitas para esse tipo de serviço, mais sim, para as ocupações femininas e domésticas”. (Lion, 1990).
Sendo assim o casamento era o destino que as mulheres esperavam. E isso sem falar nas mulheres em relação ao amor, sim, porque falar de amor também era proibido, os casamentos aconteciam com ou sem amor, pois eram acordos feitos entre as famílias, elas não tinham que amar seus cônjuges, apenas se acostumar com eles, serem companheiras, fieis, amigas, excelentes donas de casa e mães.

As atividades deverão ser respondidas de acordo com as aulas dadas e com o texto
1 - De acordo com as aulas, quais eram as justificativas para se associar a imagem da mulher ao pecado?
2 - A ideia de inferioridade relativa á mulher, foi construída a partir de que fatores ligados ao cristianismo?
3 - Por quais justificativas culturais e práticas, o homem era considerado superior e dominante em relação á mulher?


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