Turma 303 - Português
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ESCOLA ESTADUAL PADRE
JOÃO BOTELHO
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ATIVIDADES: ATUALIDADES
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DiscipliNA: Língua
Portuguesa
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professor A: Simone
Cristina
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Data: 5ª
SEMANA
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Turmas: 1ª, 2ª, 3ª EM
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Turno: Noturno
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Período de realização: 22 de junho/2020
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Olá, pessoal!
Ficar por dentro de tudo o que
acontece no Brasil e no mundo é essencial, não só para fazer uma boa prova do
Enem, mas também para entender melhor o mundo em que vivemos. De nada adianta
chegar com um conhecimento superficial a respeito de algo (achar que sabe sobre
alguma coisa só de ler a manchete não é nada inteligente!). É preciso ser capaz
de debater com profundidade, expor pontos de vista diferentes e propor possíveis
intervenções para solucionar determinados assuntos.
Você sabe o que está
acontecendo de mais importante no Brasil e no mundo?Pensando nisso é que inicio o projeto “TÔ LIGADO”, que trará textos sobre acontecimentos recentes para que possibilitar leitura, entendimento e reflexão melhor das coisas e, assim, poder se colocar de maneira coerente e fundamentada sobre os fatos.
O primeiro deles trata da empatia e da
proatividade nas diversas relações que experimentamos ao longo da vida, é que
indico a leitura do texto retirado da revista Super Interessante.
Leia e reflita sobre o que o
jornalista traz em seu texto na seção “comportamento”.
Na próxima semana, iremos trabalhar
com esse assunto!
Bons estudos!
“Efeito testemunha”: por que
observamos atos violentos sem tentar ajudar?
Só 10% das pessoas
ajuda um estranho em perigo quando há outros estranhos por perto – a
expectativa é que outra pessoa se prontifique. Entenda esse fenômeno, que é um
velho conhecido dos psicólogos.
Por Bruno Vaiano - Atualizado em 13 jun 2020, 15h45

Por que outros policiais observaram o
assassinato de George Floyd por Derek Chauvin sem tomar uma atitude – mesmo
sabendo que estavam sendo filmados e poderiam ser considerados cúmplices?
Conheça o bystander effect, um dos fenômenos mais conhecidos da psicologia. Erik
McGregor/Getty Images
No dia 30 de maio, a médica carioca Ticyana
D’Azambujja, 35, não conseguia dormir por causa de uma festa na casa vizinha. A
algazarra já durava mais de 24 horas, e ela ligou várias vezes para a polícia,
que não apareceu. Irritada – Ticyana faz plantões de madrugada, na linha de
frente contra o coronavírus –, ela desceu de seu apartamento no bairro do
Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e bateu com um martelo no vidro do
carro de luxo de um dos convidados, que estava estacionado na porta. Vários
homens saíram da casa e começaram a espancá-la.
A cena foi registrada por câmeras de
segurança. Dezenas de transeuntes e convidados observaram sem reação enquanto
um dos agressores enforca a mulher até ela desmaiar e outro quebra seu joelho.
Ticyane se agarrou ao guidão de uma moto e tentou pedir ajuda ao piloto, que se
nega e soca as mãos da médica até ela soltá-lo. O dono do carro danificado, que
acompanhou o espancamento, é Luiz Eduardo Salgueiro, sargento do Batalhão de
Choque da Polícia Militar do Rio. Ele foi afastado da corporação.
No Twitter, o que mais chamou a atenção dos
usuários não foi a brutalidade do sargento e seus amigos, mas as testemunhas
que acompanham o desenrolar dos fatos sem atender os pedidos de socorro – o ápice
é o motoqueiro que agride a médica unicamente para não se envolver na briga e
conseguir fugir. É evidente que, em situações de violência extrema, o medo de
também se ferir pode ser maior do que a vontade de fazer alguma coisa (com
razão: o único vizinho que tentou defender Ticyane também apanhou).
Mas não é só isso: o mesmo comportamento é
verificado em situações em que não há risco algum para quem presta socorro. Por
exemplo: em um experimento realizado pelo psicólogo americano Bibb Latané em
1969, ele e sua equipe convidaram um grupo de estudantes universitários para
participar de uma pesquisa de mercado sobre jogos de tabuleiro. Era só um
pretexto, é claro. Os alunos eram levados a uma sala de espera e uma mulher
pedia que eles preenchessem um questionário preliminar enquanto ela terminava
os preparativos na sala ao lado.
Quando a mulher atravessava uma cortina e
sumia da vista dos voluntários, eles ouviam o barulho de um enorme móvel se
espatifando no chão – e um grito de socorro. A mulher com que haviam acabado de
conversar dizia que estava com o tornozelo preso debaixo do armário e não
conseguia se mexer. Quando os estudantes estavam na sala de espera sozinhos,
70% deles se levantavam na hora para resgatá-la. Porém, se eles estivessem
acompanhados de outra pessoa (um participante fake, instruído a não ajudar em
hipótese alguma), apenas 10% tomavam uma providência.
Ou seja: 9 em cada 10 pessoas deixam um
estranho agonizar atrás de uma cortina quando há outro estranho presente. Essa
cifra deprimente foi replicada em muitos estudos desde então – este outro
artigo analisou 16,2 milhões de ligações para ao número 190 nos EUA. Em apenas
11% dos casos os socorristas chegaram ao local e encontraram transeuntes
acudindo a vítima.
O fenômeno, batizado em inglês de bystander
effect (em português, algo como “efeito espectador” ou “efeito testemunha”), é
objeto de estudo acadêmico desde 1964 – quando uma mulher chamada Kitty
Genovese, de 28 anos, foi morta a facadas em plena luz do dia no Queens, em
Nova York, e nenhuma das 38 testemunhas fez nada para ajudá-la. Os peritos
descobriram depois que esse número, calculado por repórteres do New York Times,
havia sido muito superestimado – havia bem menos gente por perto. Mas o nome
ficou.
Bibb Latané afirma que há muitos fatores além
da mera má-vontade em jogo no bystander effect. O primeiro é o medo de passar
vergonha ou ser julgado: a presença de uma pessoa que não toma uma atitude faz
quem toma uma atitude parecer desnecessariamente heróico ou exagerado. Isso é
suficiente para coibir nossas ações, porque nos importamos um bocado com o que
os outros pensam. Na maior parte das vezes, ironicamente, os outros estranhos
estão pensando exatamente a mesma coisa, e todos os presentes na cena estão no
mesmo impasse: sentindo vontade de agir, mas se sentindo observados por gente
que opta por não agir.
Outro problema é a diluição de
responsabilidade. Se há muitos voluntários em potencial, cada um considera que
tem uma parcela de responsabilidade muito pequena sobre as consequências
negativas de não fazer nada.
A psicóloga Francesca Gino, de Harvard,
afirmou em uma entrevista à Harvard Gazette que o bystander effect pode
explicar porque três outros policiais observaram Derek Chauvin asfixiar George
Floyd pelo pescoço em Minneapolis e não fizeram nada. A cultura de violência
impregnada na corporação faz um policial questionar como será julgado se
questionar as atitudes de outro policial. Sempre há a possibilidade de que
todos os policiais na cena estivessem tão mal-intencionados quanto Chauvin;
mesmo assim, eles sabiam que os vídeos feitos por transeuntes poderiam ser
utilizados para incriminá-los como cúmplices. Ou seja: em princípio, também
havia um interesse egoísta em interromper a ação.
Em um artigo publicado em 2016, o psicólogo
Steven Pinker, de Harvard, defendeu que a natureza do bystander effect muda
conforme o grau de conhecimento que você tem sobre o grau de conhecimento das
outras pessoas envolvidas. Explicando melhor com um exemplo do próprio Pinker:
imagine que você é um universitário que divide um apartamento com quatro outros
colegas. O proprietário liga e avisa que a companhia de água vai cortar o
fornecimento no dia seguinte – e é uma boa ideia fazer estoque.
Sua primeira reação seria correr para a
cozinhar e começar a encher algumas garrafas pet vazias. Porém, se você já
tivesse ouvido o proprietário ligar para os outros estudantes, seu ímpeto de
tomar uma atitude diminuiria drasticamente. Você ficaria esperando eles agirem
– afinal a água importa para eles tanto quanto para você.
Pois é: entre Homo sapiens, jogar a
responsabilidade no colo alheio não é a exceção, é regra. Então, da próxima vez
que alguém precisar de você, ajude. Com um exemplo, quem está em volta
provavelmente ajudará também.
VAIANO, Bruno. Efeito Testemunha: por que observamos atos
violentos sem tentar ajudar? Disponível em:
https://super.abril.com.br/comportamento/efeito-testemunha-por-que-observamos-atos-violentos-sem-tentarajudar/
Acesso em 15 jun. 2020
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